Criei este espaço porque percebi que muita gente já não sabe como é viver sem estar em alerta


Durante anos falei sobre emoções, trauma, relações, corpo, espiritualidade e cura nas redes sociais. E apesar de amar profundamente aquilo que faço, comecei a sentir uma necessidade cada vez maior de desacelerar o ruído.

As redes são rápidas. Tudo acontece depressa. Tudo desaparece depressa. E às vezes sinto que há dores que não cabem num reel de trinta segundos ou numa frase partilhada entre distrações.

Porque a verdade é que aquilo que tantas pessoas vivem hoje não é superficial.

Há pessoas a sobreviverem todos os dias sem perceberem que estão cansadas há anos. Pessoas que aprenderam a funcionar em piloto automático. Que sorriem, trabalham, cuidam dos outros, fazem tudo o que “devem” fazer… mas que por dentro vivem permanentemente em esforço.

E muitas nem percebem.

Acham que são preguiçosas porque não conseguem descansar sem culpa. Acham que são demasiado sensíveis porque sentem tudo intensamente. Acham que têm um problema qualquer porque nunca conseguem simplesmente relaxar.

Mas o corpo lembra-se sempre daquilo que a mente tentou normalizar.

Lembra-se das vezes em que tiveste de engolir emoções para sobreviver. Das relações onde te perdeste para não seres abandonada. Das fases em que foste forte porque não tinhas outra opção. Das vezes em que continuaste mesmo completamente cansada.

E talvez tenha sido exatamente por isso que este espaço nasceu.

Não para ensinar ninguém a “ser positivo”. Nem para fingir que a cura acontece em meia dúzia de passos bonitos. Mas para criar um lugar mais humano. Mais profundo. Mais verdadeiro.

Um lugar onde possamos falar sobre aquilo que tantas vezes fica escondido atrás de um “está tudo bem”.

Sobre o impacto do trauma no corpo. Sobre relações que nos deixam emocionalmente exaustos. Sobre compulsões que tentam preencher vazios antigos. Sobre ansiedade. Sobre hipervigilância. Sobre emoções que vivem presas no corpo há anos. Sobre espiritualidade com pés na terra. Sobre voltar a sentir segurança dentro de nós.

E talvez também sobre esperança. Mas uma esperança real. Não aquela esperança vazia que obriga as pessoas a fingirem força o tempo todo.

Acredito profundamente que muitas pessoas não precisam de aprender a ser mais fortes. Precisam apenas de finalmente deixar de viver em guerra consigo próprias.

E talvez este espaço seja exatamente isso.

Um lugar onde já não precisas fingir que está tudo bem para poderes existir.


Um beijinho 💖
Carla Estêvão

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