Mensagens

Hoje entro de férias. E desta vez foi diferente.

Imagem
Durante muito tempo as férias chegavam e eu não estava lá. O corpo ia. Arrumava a mala, fechava o computador, dizia a toda a gente que ia descansar. Mas a cabeça ficava. Nas coisas por fazer. Nos clientes. Nas mensagens por responder. Na sensação persistente de que havia sempre algo que precisava de mim e que eu estava a falhar ao não estar disponível. As férias eram uma pausa forçada num ritmo que eu não questionava. Não eram um descanso real. Eram um intervalo antes de voltar ao mesmo. Este ano foi diferente. Não no destino. Não nas circunstâncias. Em mim. Há algo que muda quando começamos a trabalhar a sério em nós próprias. Quando paramos de funcionar em piloto automático e começamos a fazer perguntas que durante muito tempo evitámos. Perguntas sobre o que realmente queremos. Sobre o que nos drena. Sobre o tipo de vida que estamos a construir e se é de facto a vida que escolhemos ou simplesmente a vida que aconteceu. Este ano escolhi as férias. Não chegaram. Eu fui até ...

Como a meditação mudou a forma como me relaciono comigo. Não foi como esperava.

Imagem
Durante muito tempo achei que não conseguia meditar. Sentava-me. Fechava os olhos. E a minha mente começava imediatamente a fazer o que faz melhor. Pensar. Planear. Resolver. Revisitar conversas que já tinham acontecido. Antecipar situações que ainda não tinham acontecido. Fazer listas mentais. Preocupar-se com coisas grandes e pequenas sem distinção. E eu ficava ali, supostamente em silêncio, a tentar desesperadamente fazer com que tudo aquilo parasse. A tentar esvaziar a mente. A tentar ser boa a meditar. E quando não conseguia, quando os pensamentos continuavam a chegar a toda a velocidade, concluía que tinha falhado. Que não era para mim. Que talvez houvesse pessoas com um tipo de mente mais adequado para isso e que eu simplesmente não era uma delas. Demorei muito tempo a perceber que estava a entender tudo ao contrário. A meditação não é esvaziar a mente. A mente não esvazia. Não foi feita para isso. Foi feita para pensar, para analisar, para resolver, para planear. É ...

Quando o cansaço não é físico. E o descanso não chega.

Imagem
Há um tipo de cansaço que não aparece nos exames. Não tem origem numa doença. Não se resolve com suplementos ou com mais horas de sono. Não desaparece depois de umas férias nem de um fim de semana inteiro sem compromissos. É um cansaço que está lá quando acordas. Que te acompanha ao longo do dia mesmo quando não fizeste nada de especialmente exigente. Que fica mesmo depois de uma boa noite de sono, de um descanso que deveria ter sido suficiente, de um período de vida mais calmo que deveria ter dado espaço para recuperar. Se reconheces isto, quero dizer-te algo importante. Não estás a exagerar. Não é frescura. Não é falta de gratidão pela tua vida. É informação. É o teu sistema a dizer-te, de forma muito clara, que há algo que precisa de atenção e que o descanso físico sozinho não consegue resolver. Esse tipo de cansaço tem origem nas emoções que foram sendo guardadas sem espaço para ser sentidas. Na forma como tens vivido demasiado longe de ti própria. No ritmo que não pára...

A tua cura não é só tua. E isso muda tudo.

Imagem
Durante muito tempo achei que trabalhar em mim era um acto privado. Algo que acontecia entre mim e o meu processo terapêutico. Algo interior, silencioso, que não tinha grande impacto no mundo à minha volta. Que era, no fundo, um luxo. Uma coisa que fazia por mim e só por mim. Demorei anos a perceber o quanto estava enganada. A cura não é um acto privado. Expande. Tem ondas. E essas ondas chegam muito mais longe do que alguma vez imaginei. Quando começas a trabalhar em ti, quando olhas para os teus padrões com coragem em vez de os ignorar, quando soltas o que carregas que não é teu, quando te permites ser mais inteira, isso sente-se. Nas pessoas à tua volta. Muito antes de dizeres uma palavra sobre o que estás a trabalhar. Sente-se na forma como respondes em vez de reagir. Na presença diferente que és para os teus filhos quando estás mais tranquila. Na energia que trazes para as tuas relações quando já não estás a operar em modo de sobrevivência constante. Na forma como entr...

Eu sou ansiosa. Sempre fui assim.

Imagem
Há uma frase que ouço com muita frequência. Vem sempre com a mesma naturalidade, com o mesmo tom de facto consumado, como se a pessoa estivesse a descrever algo tão fixo e imutável como a cor dos olhos ou o grupo sanguíneo. "Eu sou muito ansiosa. Sempre fui assim." Talvez já a tenhas dito. Talvez seja uma das primeiras coisas que dizes quando alguém te pergunta como és. Como se a ansiedade fosse o teu nome. Como se fosse a primeira coisa que qualquer pessoa precisa de saber sobre ti para te entender. E não é só a ansiedade. É tanta coisa. "Eu sou sempre assim." "Eu sou demasiado sensível." "Eu sou aquela que nunca consegue." "Eu sou muito intensa." "Eu sou difícil de amar." Cada uma destas frases começa com as mesmas duas palavras. Eu sou. E essas duas palavras têm um poder que muitas vezes subestimamos completamente. Quando dizes "eu sou ansiosa" com a convicção de quem descreve um facto imutável, não es...

O teu sistema nervoso não sabe que chegou o verão. E isso explica tudo.

Imagem
Há algo que quase ninguém fala quando o assunto é descanso de verão. O teu sistema nervoso não tem calendário. Não recebe a notificação de que as férias começaram. Não sabe que julho chegou. Não percebe automaticamente que pode abrandar só porque o computador está fechado e o telemóvel está em modo silencioso na praia. Continua no mesmo estado em que esteve durante meses. Em alerta. Em modo de fazer. Em modo de aguentar tudo e não deixar nada cair. E por isso é que tantas pessoas chegam a agosto ainda tensas. Ainda com a mandíbula contraída. Ainda a acordar às seis da manhã mesmo quando não precisam. Ainda incapazes de estar presentes numa refeição em família sem que a cabeça esteja noutro lado. Conheci uma mulher, a Sara, que me descreveu as suas férias de uma forma que nunca esqueci. "É o momento mais ansioso do meu ano. É quando não tenho desculpa para não estar bem e continuo a não estar." A Sara não tinha nenhum problema com as férias em si. O problema era qu...

A diferença entre pausar e recuperar

Imagem
Há uns anos tive uma conversa com uma cliente que me disse algo que nunca esqueci. A Sofia. A Sofia tinha acabado de voltar das férias. Duas semanas numa ilha, sol, mar, família. Por fora, tudo o que se supõe ser um bom verão. E ela entrou na sessão, sentou-se, respirou fundo e disse: "Voltei mais cansada do que fui." Não estava a brincar. Estava genuinamente confusa. Como é que duas semanas de férias podiam deixar alguém mais esgotada do que antes de partir? A resposta é mais simples do que parece. A Sofia tinha pausado. Mas não tinha recuperado. E há uma diferença enorme entre as duas coisas. Pausar é parar o corpo. É tirar férias, desligar o computador, sair da rotina. É necessário e importante. Mas por si só não chega para recuperar de um ano inteiro a funcionar em modo de sobrecarga. Não chega para resolver o que ficou pendente emocionalmente. Não chega para voltar a ouvir o que o teu corpo e a tua alma estão a pedir há meses. Recuperar é diferente. Recuperar...