Hoje entro de férias. E desta vez foi diferente.
Durante muito tempo as férias chegavam e eu não estava lá. O corpo ia. Arrumava a mala, fechava o computador, dizia a toda a gente que ia descansar. Mas a cabeça ficava. Nas coisas por fazer. Nos clientes. Nas mensagens por responder. Na sensação persistente de que havia sempre algo que precisava de mim e que eu estava a falhar ao não estar disponível. As férias eram uma pausa forçada num ritmo que eu não questionava. Não eram um descanso real. Eram um intervalo antes de voltar ao mesmo. Este ano foi diferente. Não no destino. Não nas circunstâncias. Em mim. Há algo que muda quando começamos a trabalhar a sério em nós próprias. Quando paramos de funcionar em piloto automático e começamos a fazer perguntas que durante muito tempo evitámos. Perguntas sobre o que realmente queremos. Sobre o que nos drena. Sobre o tipo de vida que estamos a construir e se é de facto a vida que escolhemos ou simplesmente a vida que aconteceu. Este ano escolhi as férias. Não chegaram. Eu fui até ...