O momento em que tudo muda quando vês o teu próprio padrão.

Há uma frase que ouço com muita frequência nas primeiras sessões. Vem em várias versões, mas o sentido é sempre o mesmo. "Não sei o que se passa comigo." "Sinto que sou eu o problema." "Já tentei de tudo e continua igual."

Quero contar-te sobre uma mulher que conheci há alguns anos. 

Chamemos-lhe Inês. Tinha pouco mais de trinta anos, uma vida que por fora parecia organizada, um trabalho estável, amigos, uma rotina que funcionava. 

E ainda assim, sentava-se sempre na ponta da cadeira, como se estivesse pronta para se levantar a qualquer momento, mesmo depois de várias sessões juntas.

A Inês vinha com uma sensação que não conseguia nomear. As relações terminavam sempre da mesma forma, mesmo com pessoas completamente diferentes. Os trabalhos começavam com entusiasmo e acabavam em esgotamento, ano após ano. As amizades, de repente, esfriavam sem que ela soubesse explicar porquê.

E ela tinha uma frase que repetia sempre. "Não sei porque é que isto continua a acontecer comigo."
Um dia, em vez de continuarmos a analisar cada situação separadamente, mostrei-lhe o mapa dela. O mapa numerológico, construído a partir do nome dela e da data em que nasceu. Não para prever nada do que estava para vir. Mas para olharmos juntas para o que já estava escrito ali, muito antes de qualquer uma destas histórias ter começado.

E foi nesse momento que ela disse uma frase que ainda hoje me fica na memória. "Então não é que eu seja assim. É que ainda não tinha visto isto."

Há uma diferença enorme entre pensar que somos um determinado tipo de pessoa, com determinados defeitos, determinadas fraquezas, determinada sorte. E perceber que há um padrão, com origem, com sentido, que está a operar e que pode ser trabalhado.

A primeira visão deixa-nos paradas. A segunda abre uma porta.

Há um tipo de cansaço que a Inês sentia e que muita gente sente sem ter palavras para isso. É a sensação de andar à procura de uma porta numa parede que parece inteira. Sabes que algo não está bem, sentes que há uma saída, mas não a encontras, porque ainda não tens a luz certa para a ver.

A esse cansaço chamo fadiga de repetição. É o que sentimos quando já tentámos tudo o que sabíamos tentar, força de vontade, terapia, livros, conversas, e continuamos a chegar ao mesmo sítio, com uma roupagem diferente.

A numerologia, quando trabalhada com profundidade, é exactamente essa luz diferente. Não substitui o trabalho emocional. Complementa-o de uma forma que muitas vezes acelera tudo, porque dá nome ao que estava sem nome. Mostra o padrão. Mostra a raiz. Mostra a missão por trás do ciclo que se repete.

E quando vês isso, como a Inês viu, algo muda. Não de forma mágica. Mas de forma real. Porque deixas de gastar energia a tentar entender porque é que "isto continua a acontecer" e começas a trabalhar directamente na causa.

Se esta história te tocou, se reconheceste em ti algum eco da Inês, da sensação de andar em círculos sem saber bem porquê, talvez seja o momento de olhares para o teu próprio mapa.

Tenho falado mais sobre isto no WhatsApp, onde tenho estado mais próxima este verão.

Com amor, Carla Estêvão 💎

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