A tua cura não é só tua. E isso muda tudo.
Durante muito tempo achei que trabalhar em mim era um acto privado.
Algo que acontecia entre mim e o meu processo terapêutico. Algo interior, silencioso, que não tinha grande impacto no mundo à minha volta. Que era, no fundo, um luxo. Uma coisa que fazia por mim e só por mim.
Demorei anos a perceber o quanto estava enganada.
A cura não é um acto privado. Expande. Tem ondas. E essas ondas chegam muito mais longe do que alguma vez imaginei.
Quando começas a trabalhar em ti, quando olhas para os teus padrões com coragem em vez de os ignorar, quando soltas o que carregas que não é teu, quando te permites ser mais inteira, isso sente-se. Nas pessoas à tua volta. Muito antes de dizeres uma palavra sobre o que estás a trabalhar.
Sente-se na forma como respondes em vez de reagir. Na presença diferente que és para os teus filhos quando estás mais tranquila. Na energia que trazes para as tuas relações quando já não estás a operar em modo de sobrevivência constante. Na forma como entras numa sala e algo na atmosfera muda subtilmente. Na leveza que os outros sentem quando estão contigo porque tu própria estás mais leve.
Há algo que o trabalho terapêutico me ensinou de forma muito concreta ao longo dos anos.
As pessoas que se curam mudam os sistemas em que vivem.
A mãe que trabalha os seus padrões de ansiedade cria filhos que crescem num ambiente emocionalmente diferente. O pai que aprende a regular as suas emoções deixa de transmitir essa desregulação aos filhos. O casal que trabalha as suas feridas individuais cria uma dinâmica relacional completamente diferente. A pessoa que quebra um padrão ancestral muda algo que vinha a ser transmitido há gerações.
Isso não é abstracção espiritual. É o que vejo acontecer repetidamente no meu trabalho.
A cura individual tem impacto colectivo. Sempre.
O Capítulo V do Livro de Ouro de Saint Germain que estou a explorar este mês fala sobre a cura às nações. E o que me tocou profundamente foi perceber que essa cura grande, essa cura que se expande para além do individual, começa sempre da mesma forma.
Com uma pessoa.
Com uma decisão.
Com um momento em que alguém diz chega e escolhe olhar para dentro em vez de continuar a fugir para fora.
Não precisas de curar o mundo. Não precisas de ter tudo resolvido antes de começares. Não precisas de esperar pelo momento perfeito ou pela versão ideal de ti própria.
Precisas de começar. Por ti. Com o que tens. Onde estás.
O resto expande-se naturalmente. Porque a cura tem ondas. E as ondas chegam sempre mais longe do que imaginamos quando estamos no início do processo.
Se isto ressoou contigo, fica por aqui este mês. Estou a explorar estes temas de uma forma que espero que te toque.
Com amor, Carla Estêvão 💎
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