Como a meditação mudou a forma como me relaciono comigo. Não foi como esperava.

Durante muito tempo achei que não conseguia meditar.

Sentava-me. Fechava os olhos. E a minha mente começava imediatamente a fazer o que faz melhor. Pensar. Planear. Resolver. Revisitar conversas que já tinham acontecido. Antecipar situações que ainda não tinham acontecido. Fazer listas mentais. Preocupar-se com coisas grandes e pequenas sem distinção.

E eu ficava ali, supostamente em silêncio, a tentar desesperadamente fazer com que tudo aquilo parasse. A tentar esvaziar a mente. A tentar ser boa a meditar.

E quando não conseguia, quando os pensamentos continuavam a chegar a toda a velocidade, concluía que tinha falhado. Que não era para mim. Que talvez houvesse pessoas com um tipo de mente mais adequado para isso e que eu simplesmente não era uma delas.

Demorei muito tempo a perceber que estava a entender tudo ao contrário.

A meditação não é esvaziar a mente.

A mente não esvazia. Não foi feita para isso. Foi feita para pensar, para analisar, para resolver, para planear. É extraordinariamente boa no que faz e não vai parar só porque decidiste sentar-te em silêncio com os olhos fechados.

A meditação é outra coisa completamente diferente. É aprender a observar os teus pensamentos sem seres arrastada por eles. É criar um espaço, mesmo que seja um espaço minúsculo, entre o pensamento e a tua reacção a ele. É perceber, de forma cada vez mais profunda e real, que és muito mais do que o que a tua mente diz que és.

Não és os teus pensamentos. És aquela que os observa.
Essa distinção parece pequena. Mas muda tudo.

Quando começas a experienciar isso de forma real, não só a entender intelectualmente mas a sentir na prática, a tua relação contigo própria muda de uma forma que é difícil de descrever com palavras precisas.

Começas a ter mais espaço. Não espaço físico. Espaço interno. Para responder em vez de reagir. Para escolher em vez de funcionar em piloto automático. Para estar presente contigo própria em vez de estares sempre a correr para o próximo pensamento, a próxima preocupação, o próximo problema para resolver.

O Capítulo IX do Livro de Ouro de Saint Germain, que estou a explorar este mês, fala sobre meditação não como técnica mas como encontro. Um encontro contigo. Com o silêncio que existe por baixo do ruído constante da mente. Com a parte de ti que observa tudo mas que raramente tem espaço para ser ouvida porque a mente raramente para o suficiente para isso.

E o que aprendi, ao longo de anos de prática e de trabalho terapêutico, é que esse encontro não precisa de ser perfeito. Não precisa de durar horas. Não precisa de acontecer numa almofada específica com incenso e música certa.

Precisa de ser honesto. De ser consistente. De ser um convite genuíno para estares presente contigo própria durante alguns minutos, mesmo que a mente não coopere completamente, mesmo que os pensamentos continuem a chegar, mesmo que não sejas boa a meditar da forma que imaginavas que devias ser.

Porque não existe uma forma certa de meditar. Existe apenas a prática de voltares sempre. De cada vez que a mente te arrasta, perceberes que foste arrastada e voltares. Sem julgamento. Sem frustração. Só voltando.

E é exactamente nesse voltar que acontece a transformação.
Se isto ressoou contigo, fica por aqui. Este mês estou a explorar estes temas de uma forma que espero que abra algo em ti.

Com amor, Carla Estêvão 💎

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