Eu sou ansiosa. Sempre fui assim.
Há uma frase que ouço com muita frequência. Vem sempre com a mesma naturalidade, com o mesmo tom de facto consumado, como se a pessoa estivesse a descrever algo tão fixo e imutável como a cor dos olhos ou o grupo sanguíneo.
"Eu sou muito ansiosa. Sempre fui assim."
Talvez já a tenhas dito. Talvez seja uma das primeiras coisas que dizes quando alguém te pergunta como és. Como se a ansiedade fosse o teu nome. Como se fosse a primeira coisa que qualquer pessoa precisa de saber sobre ti para te entender.
E não é só a ansiedade. É tanta coisa.
"Eu sou sempre assim." "Eu sou demasiado sensível." "Eu sou aquela que nunca consegue." "Eu sou muito intensa." "Eu sou difícil de amar."
Cada uma destas frases começa com as mesmas duas palavras. Eu sou. E essas duas palavras têm um poder que muitas vezes subestimamos completamente.
Quando dizes "eu sou ansiosa" com a convicção de quem descreve um facto imutável, não estás só a descrever um estado. Estás a criar as condições para que esse estado se perpetue. Estás a dizer ao teu sistema interno, ao teu campo energético, confirma isto. Continua a mostrar-me provas de que isto é verdade.
E o teu sistema, que é extraordinariamente obediente, faz exactamente isso.
Mas e se te fizesse uma pergunta diferente?
E se "eu sou ansiosa" fosse uma história que aprendeste a contar sobre ti? Uma narrativa que se foi construindo ao longo dos anos, com base em experiências, em padrões, em formas que o teu sistema nervoso encontrou para se proteger? E se não fosse uma verdade absoluta sobre quem és mas sim algo que aprendeste a ser em resposta ao que viveste?
Começamos muito cedo a construir histórias sobre nós próprias. E essas histórias ganham força com a repetição. Cada vez que as dizemos em voz alta, cada vez que as pensamos, cada vez que as usamos para explicar os nossos comportamentos e as nossas limitações, estamos a reforçá-las. A torná-las mais reais. A convencer-nos mais profundamente de que são factos e não narrativas.
No Livro de Ouro de Saint Germain, que estou a ler este mês e a partilhar por aqui, há um conceito que me tem acompanhado desde a primeira página. A ideia de que o Eu Sou não é apenas uma forma de nos identificarmos. É uma invocação. É uma declaração ao universo, ao nosso campo energético, ao nosso sistema interno, sobre o que somos e o que criamos.
Não estou a falar de pensamento positivo forçado. Não estou a dizer que deves acordar amanhã e dizer "eu sou feliz" vinte vezes ao espelho esperando que a ansiedade desapareça por magia.
Estou a falar de algo muito mais subtil e muito mais poderoso. De começares a questionar as histórias que contas sobre ti. De parares, quando estás prestes a dizer "eu sou sempre assim", e perguntares: é mesmo? Ou é o que aprendi a ser?
Porque o que não somos não podemos mudar. Mas o que fazemos, o que aprendemos, o que experienciamos, esse sim tem espaço para se transformar.
E essa distinção pequena e enorme ao mesmo tempo pode abrir uma porta que talvez esteja fechada há muito tempo.
Este mês estou a explorar o tema do Eu Sou de forma mais profunda. Se isto te tocou, fica por aqui. Há muito mais para partilhar.
Com amor, Carla Estêvão 💎
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