Quando o cansaço não é físico. E o descanso não chega.
Há um tipo de cansaço que não aparece nos exames.
Não tem origem numa doença. Não se resolve com suplementos ou com mais horas de sono. Não desaparece depois de umas férias nem de um fim de semana inteiro sem compromissos.
É um cansaço que está lá quando acordas. Que te acompanha ao longo do dia mesmo quando não fizeste nada de especialmente exigente. Que fica mesmo depois de uma boa noite de sono, de um descanso que deveria ter sido suficiente, de um período de vida mais calmo que deveria ter dado espaço para recuperar.
Se reconheces isto, quero dizer-te algo importante.
Não estás a exagerar. Não é frescura. Não é falta de gratidão pela tua vida. É informação. É o teu sistema a dizer-te, de forma muito clara, que há algo que precisa de atenção e que o descanso físico sozinho não consegue resolver.
Esse tipo de cansaço tem origem nas emoções que foram sendo guardadas sem espaço para ser sentidas. Na forma como tens vivido demasiado longe de ti própria. No ritmo que não pára mesmo quando o corpo pede para abrandar. Nas relações que drenam de formas que não consegues nomear completamente. Nos papéis que desempenhas todos os dias e que te deixam cada vez com menos de ti.
O sistema nervoso não descansa verdadeiramente enquanto há coisas por processar. Enquanto há emoções guardadas a fazer pressão por baixo da superfície. Enquanto há situações que ficaram por resolver e que o teu sistema continua a tentar processar em segundo plano, mesmo enquanto dormes, mesmo quando pensas que estás a descansar.
É por isso que acordas cansada. Não porque o teu corpo é fraco. Mas porque está a trabalhar muito mais do que parece.
Trabalhei com muitas pessoas ao longo dos anos que chegavam até mim com exactamente esta queixa. Estou sempre cansada. Não sei porquê. Fiz exames, está tudo bem. Durmo as horas que devo. Não faço nada de especialmente exigente. E continuo exausta.
E invariavelmente, quando começávamos a olhar para o que estava a acontecer emocionalmente, encontrávamos a resposta. Não numa doença. Numa acumulação. De anos a funcionar em modo de sobrevivência sem espaço para processar. De emoções que ficaram guardadas porque não havia onde as pousar. De um sistema nervoso que nunca tinha aprendido verdadeiramente a sentir-se seguro o suficiente para descansar de forma completa.
O descanso verdadeiro, o tipo de descanso que faz a diferença real, não começa no corpo. Começa nas emoções. No que soltas. No que procuras. No espaço que crias para ouvires o que está a pedir atenção em vez de continuares a ignorar até que o corpo grite mais alto.
A pergunta que vale a pena fazer não é como posso ter mais energia. É o que está a consumir a minha energia antes de eu sequer começar o dia.
Encontrar essa resposta com honestidade é o início de uma recuperação que o sono sozinho nunca consegue dar.
Se isto ressoou contigo, fica por aqui. Este mês estou a explorar exactamente estes temas de uma forma que espero que abra algo em ti.
Com amor, Carla Estêvão 💎
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